Em entrevista à 'Folha de S. Paulo', Carlo Ancelotti analisou o desempenho da Seleção nesta Copa, priorizou a força do conjunto e rebateu críticas sobre sua gestão de vestiário.
A Seleção Brasileira não vive de nomes isolados. Para o técnico Carlo Ancelotti, o Brasil não carece de "estrelas", mas sim de "jogadores de elite" plenamente integrados ao sistema coletivo, conforme afirmou nesta sexta-feira em entrevista ao jornal 'Folha de S.Paulo'.
"A torcida clama por um craque. Mas aqui, na Seleção, não precisamos disso. Precisamos de jogadores de classe mundial dedicados à equipe", pontuou o comandante italiano de 67 anos, que assumiu o comando da 'Canarinha' em maio de 2025.
Na visão do treinador, o êxito em confrontos eliminatórios não é fruto de lampejos individuais isolados, mas sim da consolidação de um bloco sólido, em que cada talento individual é colocado a serviço do equilíbrio tático.
Ancelotti relembrou que soma mais de 1.400 partidas à beira do gramado ao longo de sua trajetória profissional. O técnico destacou que, em toda a história do futebol, apenas uma figura dirigiu mais jogos que ele: Sir Alex Ferguson, que superou a expressiva marca de 2.000 compromissos oficiais.
Com tal currículo, o italiano ironizou ao ressaltar que o lendário técnico escocês seria o único com autoridade técnica para lhe dar conselhos, embora tenha garantido que permanece, "obviamente", aberto a ouvir diferentes opiniões.
"Não sei se entendo tudo de futebol ou não. Mas ninguém pode questionar minha experiência. A única verdade é que já preparei mais de 1.400 jogos. Pode não ser o suficiente para dominar todos os segredos do esporte, mas é uma bagagem considerável", declarou.
"Tenho 100% de certeza de que não sou um gênio, mas, ao mesmo tempo, sei 100% que não sou um idiota", disparou com franqueza. É pautado nessa filosofia de grupo que o Brasil se prepara para medir forças com a Noruega neste domingo, pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
Durante a sabatina, Ancelotti caracterizou a seleção escandinava como um adversário de alto vigor físico, extremamente "organizado" no setor defensivo e liderado por uma comissão técnica "experiente".
Ele também alertou para o perigo das bolas paradas e a ameaça representada por Erling Haaland, a quem considera "um dos melhores do mundo" por tê-lo enfrentado em duas ocasiões quando comandava Real Madrid e Napoli.
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No entanto, o técnico esclareceu que a estratégia brasileira não orbita apenas em torno do artilheiro do Manchester City. Não haverá marcação individual específica: neutralizar o atacante e proteger a área será uma tarefa estritamente "coletiva".
Sobre a situação de Neymar, que desembarcou no Mundial sob cuidados médicos e desfalcou a equipe nas duas primeiras rodadas da fase de grupos, o treinador confirmou que o camisa '10' está fisicamente apto para atuar por 90 minutos, caso o cenário do jogo exija.
Questionado sobre o estado de espírito do astro, Ancelotti admitiu que o jogador não se sente confortável na condição de suplente, mas enalteceu sua "humildade" e o respeito absoluto às decisões da comissão técnica.
"Neymar é extremamente respeitoso, amável e muito querido pelos companheiros. É um motor para o grupo, pois detém uma qualidade técnica imensa", sublinhou o técnico, detalhando que o jogador de 34 anos será acionado assim que ele entender que "a equipe necessita".
Em sua primeira experiência à frente de uma seleção nacional, Ancelotti confessou que a pressão de envergar o escudo pentacampeão mundial é "diferente" de qualquer outro desafio, lembrando que o Brasil segue revelando talentos de "nível extraordinário".
"O talento é forjado pela genética, estrutura, cultura e pela tradição de um país. Há 30 anos, apenas o talento bastava para vencer. Hoje, isso é insuficiente. É imperativo sustentar esse talento com profissionalismo, rigor tático, condicionamento físico impecável e caráter", finalizou.

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